Pesquisa mapeia aumento de ataques a nordestinos em anos eleitorais
- 02/02/2026
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Ofensas como “pobre”, “burro”, “analfabeto” e “ingrato” se intensificaram nas redes sociais durante as últimas eleições presidenciais. Levantamento da SaferNet, ONG que atua na defesa dos direitos humanos na internet, aponta que ataques xenofóbicos contra nordestinos na rede social X cresceram 821% em 2022, em comparação com 2021. Em 2018, também ano eleitoral, o aumento havia sido de 595,5%. As informações são do g1.
Os dados embasam o estudo “Discursos de ódio em redes sociais: uma análise com processamento de linguagem natural”, desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG).
A próxima eleição presidencial ocorrerá em um cenário inédito, após o Supremo Tribunal Federal (STF) mudar o entendimento sobre o artigo 19 do Marco Civil da Internet, que trata da responsabilidade das plataformas por conteúdos de terceiros.
Especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que as ofensas xenofóbicas devem persistir em 2026, mas ressaltam que a nova interpretação do STF, aliada a punições aplicadas em pleitos anteriores, tende a modificar o debate online. Com isso, as plataformas passam a ter obrigação de atuar de forma mais ativa na remoção de conteúdos ilegais, podendo ser responsabilizadas se não retirarem publicações que promovam discurso de ódio, racismo, pedofilia, incitação à violência ou defesa de golpe de Estado.
Para Eanes Pereira, pesquisador da UFCG e um dos autores do estudo, o principal desafio será o uso da inteligência artificial para disseminar ódio. “A IA generativa produz vídeos, áudios e textos falsos com alto grau de fidelidade, capazes de enganar grande parte da população”, afirma. (Ubatã Notícias)




